sábado, 7 de setembro de 2019

AMOR MATERNO - José Gonçalves



Inspirai-me Musa Santa
Pelo menos um segundo
Para descrever com calma
Um amor puro e profundo
A quem quero referir-me
É a minha mãe querida
Descrever algo da vida
Do ser que me trouxe ao mundo.

Já cantei trovas de amor
De ilusão e saudade
Decantei mágoas alheias
Por questão de amizade
Vou referir-me a um amor
Dos outros bem diferente
Quero exaltar o vivente
Que ama sem falsidade.

É a mãe o ser que mais ama
De alma e coração
Se acaso o filho erra
Só ela dá-lhe o perdão
Por mais ingrato que seja
Ela não o deixa a toa
Abraça o filho e perdoa
A mais negra ingratidão.

Se é que o filho erra
A mamãe lhe compreende
Mesmo tomada de mágoas
O filho chama ela atende
Sente a alma ferida
Quando um parente abusa
O pai com raiva lhe acusa
E a mãe chorando o defende.

Se o filho sai de casa
Seja só ou com alguém
Ela medita consigo
Saiu meu filho meu bem
Chora, anda, pensa e reza
Não há nada que a conforme
Pobre coitada não dorme
Enquanto o filho não vem.

Se acaso está distante
O filho que Deus lhe deu
Sem ter notícia ela diz
Que é feito do filho meu
Será que é vivo ou morto
Põe sobre a mão um rosário
E em frente ao Santuário
Reza para o filho seu.

O filho é farrista e sai
Deixa a pobre mãe sentindo
Volta alta madrugada
Só ela não está dormindo
Bate na porta ela abre
Ao vê-lo foge o desgosto
O pranto banhando o rosto
E os meigos lábios sorrindo.

O filho não avalia
O quanto uma mãe padece
Quando o filho está doente
Ela ao lado permanece
Todos dormem e ela fica
Ao lado do travesseiro
Mas este amor verdadeiro
É raro quem reconhece.

Se acaso o filho vai preso
Ela sai pela cidade
Batendo de porta em porta
Ocupando autoridade
Se ninguém tirar seu filho
Daquela triste enxovia
Por seu gosto ficaria
Com ele ao pé da grade.

Bondosa querida mãe
És do filho a protetora
Se vê o seu filho triste
És tu a consoladora
O filho não avalia
As negras dores que sentes
Entre todos os viventes
Tu és a mais sofredora.

Oh! Santa querida mãe
Guardas na alma o retrato
Do filho por quem sofreste
Angústia dor e maltrato
E eu sem compreender
O que estavas sofrendo
A agora que estou sabendo
O quanto fui filho ingrato.

Oh! mãe teu sincero amor
É sincero e não tem fim
Envio-te estes versos
Que estou cantante assim
São arrancados do peito
Com dores e nostalgias
Em paga das agonias
Que padecestes por mim.

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